quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Recordações …

Hoje não consigo escrever.
Sinto-me entorpecido.
Os dedos percorrem o teclado mas não me espelham a alma no ecrã.
Sinto me cansado …
Sem ideias …
A inspiração abandonou-me.
Por onde andarão as minhas musas?
Os quadros que pinto com palavras estão esbatidos…
Até os peixes no aquário parecem enfadados.
Esta é mesmo uma noite vazia.
Mas agora…
De repente ...
Sem saber porquê! …
Vieram-me à memória os meus que já partiram.
Nas sombras, onde a luz das velas que acendi não chega, sinto a sua presença.
É a voz do sangue que me corre nas veias.
Olho pela janela e descortino entre a névoa os seus rostos a sorrir…
É bom saber que ainda vivem dentro de mim.
A ferida aberta pela ausência já não dói.
A raiva partiu.
As lágrimas que correm já não são só tristeza.
Talvez melancolia…
Ou saudade…
As imagens são tantas que toldam a vista.
Momentos mágicos.
Sorrisos ternos…
Carinho imenso.
Paciência infinita.
Amor puro.
E o eu que sou mas ainda não era, cresceu e fez-se homem.
Ficou a divida imensa de quem não pode pagar jamais.
Um legado único.
Mil e um ensinamentos…
Uns compreendidos outros para aprender.
E já no fim do caminho.
No por do sol da vida.
A derradeira lição.
A verdade suprema.
Só morre realmente quem nunca viveu ...

Sombra

1 comentário:

morcego persistente disse...

já pensas te em largar o que te deixa ficar assim???????????? se calhar era um bom começo...