terça-feira, 6 de novembro de 2007

Por vezes o horizonte não chega ...

Naquele dia saiu de casa sem destino, entrou no carro e perdeu-se no asfalto.
Passou por sítios que nunca mais vai encontrar.
Não sabe quantas vezes mudou de rumo ...
Lembra-se ainda da musica e da paisagem a desfilar, parecia mesmo uma aguarela.
A certa altura sentiu necessidade de abrandar, de tentar recuperar o controlo de si e voltar à segurança do seu espaço.
Parou ...
Havia casas mesmo ao lado.
Saiu do carro e olhou em volta.
O céu estava vermelho e não havia pessoas nas ruas.
Até o jardim lá em baixo estava vazio ...
Sentiu o odor abafado da solidão.
O silêncio era absolutamente ensurdecedor.
Nessa altura tomou uma decisão ...
Tinha que fugir.
Voltou para casa, entrou e fechou a porta.
Quando os olhos se fecharam no aconchego dos lençóis, sentiu-se aliviado ...
Afinal não tinha ido longe demais.

Sombra